quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Destino indesejado

Aquele seria mais um daqueles dias difíceis, pensou a Mulher ao sair de casa, mesmo vestindo a melhor roupa, maquiando-se como mandam as convenções e ouvindo Jacques Brel suplicar que a amada não o deixasse em uma de suas chanson française, não sentia-se confortável. Pensando se valeria realmente a pena todo aquele sacrifício, fechou a porta de seu minúsculo apartamento e dirigindo-se ao ponto de ônibus mais próximo sentou-se mais à espera de algum acontecimento que a fizesse desistir daquele encontro do que propriamente de um ônibus, acendeu um cigarro e dispensou o primeiro que chegara com o destino indesejado.
Enquanto fumava relembrava a última vez que encontrara aquela tia e os demais familiares, era estranho admitir que odiava aquelas pessoas, ela própria ainda não sabia de que sentimento realmente se tratava, mas parecia ser levada a um impulso de colocar-se diante deles, e sob esses pensamentos tomou o ônibus seguinte quase duas horas depois.
Buscando integrar-se pensou o quanto era inútil esta tentativa, talvez porque também fosse tão inflexível e rija quanto aquele ambiente que a hostilizava e a relegava a um plano que ela jamais se reconheceria. Desesperada alienou-se, camuflando-se num cenário harmoniosamente social.
Novamente aquele olhar, novamente a sensação das palavras inadequadas, do comportamento vil. Em mais um de seus romapantes a Mulher jogou-se no mar e desintegrando-se foi devorada por peixes.

Catherine Santana

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