quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Felinos

Sentada à beira de uma escrivaninha, lendo um livro, percebo o olhar fixo em mim, sinto como se estivessem analisando a cada gesto meu, às vezes parecem querer me dizer algo. Caminham ao encontro do terceiro e sob o sol lambem-se freneticamente como fazem todos os dias, todas as horas. Lembro-me de Ferreira Gullar que os define como uma maquininha inventada pela natureza, com pêlos, bigodes, unhas e um motor afetivo que bate em seu coração e o seu ronronar é para mostrar o quanto é grato, lembro-me desse poema e sinto uma pontinha de felicidade ao vê-los brincarem. Toda doçura e mistério parecem estar concentrados nesses três que andam elegantemente e não tiram o seu olhar de mim, parecem querer me dizer algo e angustio-me por não conseguir fazê-los me mostrar o que querem de fato, por que me olham tanto e tão profundamente? O que querem afinal? Desisto, ponho-me a ler novamente mas não consigo me concentrar, passo agora a observá-lo mais e os vejo correndo como se estivessem gargalhando, esfregam-se no chão, rolam uns com os outros, refestelam-se, depois sobem na janela, pulam e eu corro para alcançar mais uma cena, eles fogem. Volto a ler meu livro e não mais me concentro pensando neles.

Catherine Santana

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